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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dicas para fazer uma boa prova discursiva

Cada vez mais uma tendência nas provas de concursos públicos, mesmo para cargos de nível médio, as provas discursivas costumam aterrorizar muitos candidatos. Afinal, redigir um texto é muito diferente de marcar a alternativa correta em uma questão de múltipla escolha. Na pior das hipóteses, vale um “chute”, o que não é possível na redação.

Correndo o risco de dizer o óbvio, para escrever bem e corretamente é importante ter o hábito de ler. Mas isso nem sempre faz parte do dia a dia dos candidatos que, ainda assim, precisarão encontrar uma forma rápida de obter um resultado razoável na prova.

Conhecer a grafia das palavras e regras simples de pontuação é requisito necessário para o sucesso da empreitada, mas isso nem sempre é suficiente.

A boa notícia é que existem algumas dicas básicas que costumam funcionar em situações de emergência. Existe uma “receita de bolo” para as dissertações de concurso e, se o candidato tiver relativo domínio da língua portuguesa, será possível enfrentar o desafio com alguma segurança.



Tema e recorte do tema
Escrever uma redação é como pintar um quadro: primeiro escolhe-se o tema, a ideia geral. Em seguida, é preciso definir um “recorte” para este tema, ou seja, detalhar melhor sob qual aspecto o assunto será abordado. Normalmente, o tema é fornecido no comando da prova e caberá ao candidato apenas definir o recorte. Por exemplo, o tema pode ser a violência nas grandes cidades; o candidato pode falar sobre como isso afeta a formação dos cidadãos, que vivem sob o estresse do risco permanente; pode falar sobre o que considera serem as causas da violência; pode fazer uma análise histórica do crescimento da violência ou pode propor soluções para o problema.

O importante é não se colocar em armadilha e escolher um viés em que se sinta à vontade para escrever. Se possível, aborde a parte do assunto sobre a qual tenha mais domínio – ou as melhores ideias. Lembre-se de que as redações de concurso não precisam ser peças literárias. É mais garantido escrever de forma simples e objetiva do que inventar construções complexas ou ideias mirabolantes, em que o próprio candidato corre o risco de se perder.

Além disso, evite palavras que não conheça bem, para não errar a grafia nem o significado, comprometendo o conteúdo. Sempre é possível dizer a mesma coisa, usando outras palavras.

Voltando à nossa receita, a dissertação básica tem: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Introdução
Uma fórmula simples é iniciar com uma declaração (afirmação ou negação de algo): tópico frasal. Por exemplo: A violência nas grandes cidades teve um crescimento impressionante nas últimas décadas.
A seguir, ainda no primeiro parágrafo, podem ser abordados três argumentos sobre o assunto e que serão desenvolvidos nos parágrafos seguintes.

Desenvolvimento
Desenvolver um argumento em cada parágrafo garante que nenhum deles fique esquecido e cria uma organização para o texto.

Conclusão
Retoma-se o tema e acrescenta-se uma ideia, que pode ser uma solução ou um posicionamento, por exemplo.

Cuidados importantes
Coesão: O texto precisa ter um encadeamento de ideias e não ser um amontoado de frases soltas. Dito de outra forma, os parágrafos e as frases precisam estar ligados uns aos outros, como se fosse um alinhavo. A isso se chama coesão. Assim, começar os parágrafos de desenvolvimento com: Um dos motivos... ou Outro aspecto importante... ou (quando se quer lançar uma ideia contrária) Por outro lado...

Coerência: O “alinhavo” do texto se faz com o uso de elementos de ligação (conectores). Mas é preciso atenção com o que se deseja expressar, para escolher adequadamente o conector (ou expressão). Sem esse cuidado, o texto perde a coerência. Por exemplo: Eu estava cansada; portanto, saí para dançar. Fica sem sentido. Uma alternativa mais coerente seria: Eu estava cansada; apesar disso, saí para dançar.

A coerência também é importante em relação ao conjunto do texto. Se na introdução são lançados argumentos negativos, o desenvolvimento e a conclusão devem seguir a mesma linha.

Limites: Toda dissertação ou questão discursiva tem um número de linhas exigido. Atenção a esses limites (número mínimo e máximo de linhas), para não ser desclassificado ou perder pontos bobos.

Cuidado também para não invadir as margens estabelecidas no papel, pois isso pode ser considerado marcação indevida e descontar pontos ou até eliminar o candidato.

Como começar
Eu sugiro que o candidato primeiro resolva todas as questões às quais puder responder de imediato na parte objetiva da prova. E estabeleça o tempo máximo que poderá gastar na discursiva.

Leia o tema proposto – às vezes é dado um texto base sobre o assunto – e comece a fazer o esboço da redação. Escreva as ideias que surgirem em poucas palavras e sem muita crítica. Depois, faça uma avaliação e selecione o que pode ser usado para cada etapa do texto. Atenção para não fugir ao tema. Risque o que não vai servir e comece a desenvolver o rascunho do que será utilizado.

Escrever é um processo de criação e isso não funciona com pressão. Então, enquanto estiver fluindo, siga no trabalho, passando de uma etapa para a seguinte. Se tudo correr bem, vá até o fim, inclusive passando a limpo, com letra legível.

Se perceber que travou e não está conseguindo produzir, volte à parte objetiva da prova, para não perder tempo. E retorne depois para concluir a dissertação, sabendo que a parte das questões está adiantada. Essa tranquilidade ajuda a mente a relaxar e voltar a criar. Mas fique atento ao tempo gasto, para poder finalizar alguma questão pendente e marcar o cartão-resposta.

OBS: A proposta desta coluna é dar uma ideia geral para quem está totalmente perdido em relação às provas discursivas, mas não substitui um bom curso de redação com o professor especializado.

Vale lembrar que existem serviços on-line de correção de redação. O aluno pode escrever o texto, escanear e enviar, de qualquer lugar do mundo, para um professor corrigir e passar as orientações necessárias.
 
Fonte: G1 -Por Lia Salgado

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