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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"De manhã, eu sou mãe. De tarde, eu sou pai. E, de noite, eu sou concurseira", diz viúva que estuda 5h por dia

Érica Tavares do Valle, 36, mora em São Gonçalo (RJ) e é mãe de três filhos: Gabriele, 6, Victor, 13, e Karolyne, 17. Viúva desde 2009 e desempregada, ela tem um objetivo definido: ser delegada de polícia. Para isso, Érica reserva, no mínimo, cinco horas por dia para se preparar para o concurso.

Tudo começou em 2009, quando ficou viúva –seu marido foi atropelado em Itaperuna, a 316 km do Rio de Janeiro. “O jeito que encontrei para a vida continuar foi estudar. E eu voltei a estudar”.



Ela tem o ensino médio completo e disse que há nove anos não estudava. “Casei aos 17 e fui mãe aos 19. Parei de estudar porque não tinha condições de fazer uma faculdade. Eu me matriculei em direito em 2003, mas tive que trancar porque me separei. Depois me casei de novo...”, conta.

Um ano e meio após o acidente com o segundo marido, ela decidiu fazer um cursinho para prestar concurso público. Com ajuda financeira do pai, estudou de novembro de 2010 a junho de 2011. “Fiquei sabendo de oportunidades de bolsa. Tentei duas vezes e não consegui. Estava desempregada, com três filhos, sozinha, não sei por que não conseguia”.

Na terceira vez em que pleiteou, em setembro de 2011, aceitaram o pedido de bolsa para o preparatório para o concurso do Tribunal de Justiça. O cargo era de técnico de atividade judiciária, e as aulas começaram em outubro de 2011. No intervalo de tempo, continuou estudando em casa, para não perder o ritmo.

Como contrapartida da bolsa, a viúva trabalha na biblioteca do cursinho como monitora. Por exemplo, se ela fizer um curso de 30 horas, ela presta a mesma quantidade de tempo de serviços à escola.

Há duas semanas, fez a prova da Seap-RJ (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro) para agente penitenciário. “Eu gosto muito da área da segurança pública. Nunca tentei outros cargos porque não tenho nível superior. E nunca tentei para PM (Polícia Militar) porque não tenho altura! Eu tenho 1,57 m e o mínimo é 1,60 m”. Questionada sobre os riscos das profissões ligadas a segurança pública, ela é responde firme: “Eu não tenho medo”.

Assim que conseguir passar no concurso, ela pretende fazer faculdade de direito. “Eu quero ser delegada! Já tentei o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] também! Tentei no ano passado para as vagas desse ano, mas infelizmente não consegui”.

Rotina
Sem trabalho, Érica mantém a família com a pensão do marido falecido. No entanto, quando trabalha no curso, às quintas-feiras, sua rotina muda um pouco.

Ela acorda às 7h e toma café com a filha. Depois, faz o almoço, arruma a casa e, já às 10h30, serve a refeição a filha e almoça.

Às 11h, deixa Gabriele na escola e vai para o trabalho, que fica no centro do Rio de Janeiro, a 1h30 de sua casa. “Eu pego o ônibus em São Gonçalo e desço em Niterói. Daí, eu pego uma barca até o Rio e, de lá, vou caminhando até o cursinho. Dá uns 15 minutos de caminhada, e olha que eu ando rápido!”, descreve Érica.

Atualmente, ela trabalha das 13h30 às 21h. “Chego em casa por volta das 23h. E, quando edital está na rua, eu ainda estudo um pouco antes de dormir”.

Nos outros dias, Érica acorda um pouco mais tarde, às 8h, cuida da filha e da casa, e almoça cedo, umas 11h.

À tarde, tem afazeres como ir ao supermercado, banco ou outro serviço fora de casa no período da tarde. No entanto, se tudo está resolvido, tem mais tempo para estudar. Após levar Gabriele à escola, ela tira uma hora de sono, e estuda das 14h30 às 17h30, quando vai buscar a menina.

“Quando o edital está na rua, nada de conteúdo, só exercícios, só fazer provas anteriores”, revela sobre sua estratégia.

O jantar também é cedo, às 18h30. Por volta das 19h, ela volta a estudar e segue até 1h da manhã.

Érica afirma que não tem tido horas de lazer nos últimos tempos. “Nem família eu tenho visitado. Fiquei quase três meses sem ver meu pai. Isso deixa as pessoas chateadas, às vezes, a família não entende. Mas é uma coisa temporária”.

Apoio dos filhos
Érica diz que seus filhos têm bom desempenho na escola e que não precisa cobrá-los. “Graças a Deus, eu não tenho problemas com meus filhos em relação aos estudos. A mais velha me apoia muito. Ela fica com a menor às quintas-feiras e aos finais de semana”.

Às segundas e quartas-feiras, o filho Victor a acompanha nos treinos para a prova física para o cargo de agente penitenciário. Os dois correm juntos durante 1h em cada dia.
Fonte: UOL



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