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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Diante dos problemas, ela acreditou. Estudou. E chegou lá

Necessidade é a palavra que Flávia Barbosa, de 40 anos, define como o real motivo de, há oito anos, ter optado por se inscrever para o concurso do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão (TJ-MA).

Conhecida como Fladamari, pseudônimo que vem da junção das sílabas de seu nome e do nome de suas duas filhas, Dandara e Marina, a moradora de São Luís dividiu com todos sua incentivadora história de vida. E contou a batalha que enfrentou no período de 2000 a 2005, quando passou por diversas dificuldades dentro de casa, e terminou por buscar forças nos estudos para conseguir melhorar sua condição de vida.

Estabilizada, trabalhando como assistente financeira e cursando Ciências Contábeis na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Flávia foi obrigada a abrir mão de tudo para se dedicar exclusivamente à casa e à filha mais velha, que entre seu primeiro ano de vida até os seis anos de idade, sofreu com uma intolerância alimentar. Na época, Fladamari era casada há 12 anos, e a família vivia somente com a renda de seu então marido, motorista de van, que mal dava para pagar o aluguel.

“As dificuldades só foram aumentando. Lembro que passei muitos anos com o mesmo sutiã e um par de sapatos, ou seja, fundo do poço! Cheguei ainda a ouvir de um parente que parecia uma mendiga. Isso me doeu muito.”

Flávia já havia participado de outras seleções, mas nunca obteve a aprovação. Foi então que, em 2004, quando já estava grávida de sua segunda filha, o edital do TJ-MA foi lançado. Com a ajuda da mãe e dos irmãos, ela começou a se preparar para a oportunidade que viria a mudar a sua vida. Sem dinheiro, sua mãe foi quem arcou com as despesas da inscrição do concurso, enquanto o irmão pagou a revisão para 2ª etapa da prova e a irmã a ajudava com as redações.

Durante as manhãs era a hora em que aproveitava para estudar. No período em que sua filha estava na escola, ela ia para uma biblioteca pública, chamada Farol da Educação, que ficava perto de sua casa e só saía de lá quando dava a hora de buscar sua menina no colégio. Em janeiro de 2005, Flávia dava à luz sua segunda filha e começava o ano mais difícil e ao mesmo tempo mais feliz de sua vida. Emocionada, ela conta que após o nascimento de Marina, passou momentos terríveis durante o resguardo da cesariana.

“Eu lavava, passava e cozinhava, e ainda tinha que levar minha filha mais velha à escola, de ônibus e com o meu bebê no colo, pois não tinha com quem deixá-la”. Além disso, todo esse esforço era feito debaixo de chuva, pois, no Maranhão, os seis primeiros meses do ano são muito chuvosos. Nesse período, a rotina de Flávia mudou bruscamente. Acordava às 3h e estudava até as 7h da manhã, quando as meninas acordavam, e ia deitar às 19h, para descansar e acordar mais disposta. “Ficava muito cansada, perdi muito peso, cheguei a 45kg, medindo 1,65m de altura.”

Esforçada, explica que sempre deu ênfase às disciplinas de Matemática Básica, Português e Atualidades. “Bucava muitas informações por meio do material de que dispunha, na maioria das vezes eram revistas e jornais”. No dia da primeira etapa do concurso, Fladamari pediu a uma amiga que também estava amamentando que ficasse com a sua filha menor, com então 4 meses de idade.

A prova objetiva começou às 8h, duas horas depois ela deixava a sala. Das 50 questões propostas, Flávia havia acertado 44 e garantido assim o seu ingresso para segunda etapa da seleção. “Quase não acreditei, pulei de tanta alegria. Muita gente me colocava para baixo, dizendo que a segunda fase seria muito difícil, não tive apoio do meu ex-marido… Mas a vontade de vencer era maior que tudo isso.” A preparação para a segunda fase foi ainda mais intensa. A disciplina era fundamental, e Fladamari conta que não assistia mais televisão, não recebia mais visitas em sua casa e não saía sequer para passear na rua com as filhas. Estudava cada vez mais, pois sentia que estava perto de alcançar seu objetivo.

“A concentração era total nos estudos, e eu pensava assim: é só por um tempo que vou deixar de fazer as coisas que gosto. Então, vai valer a pena abdicar de tudo isso.” E realmente valeu; em setembro de 2005 o nome Flávia Barbosa Silva Santos estava no mural dos aprovados, na 82ª colocação dentro das vagas. Em dezembro do mesmo ano, sua nomeação já havia saído. E em fevereiro de 2006 ela assumia o cargo.

O que mudou na vida de Fladamari? “Tudo! Tudo mudou para melhor! Saí do fundo do poço, recuperei minha autoestima que tinha perdido com o passar do tempo, comprei meu carro, fiz Direito numa faculdade particular, ganhei minha independência financeira e uma vida digna.” Hoje ela trabalha no Fórum de São Luís, na parte de publicações. E, apesar de ser muito feliz no que faz, pretende prestar outros concursos, agora na esfera federal – como TRT, TRE e Justiça Federal. E para aqueles que desejam ingressar na carreira pública, o conselho de Flávia é que nunca se deve esquecer a tríade do sucesso: atitude, disciplina e perseverança.

Fonte: Folha Dirigida
 
 

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