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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Comentários às questões de Português TRT 18/GO - AJAJ - Banca FCC - Prof. Alexandre Luz



Atenção: Para responder às questões de números 1 a 11, considere o texto abaixo.

Se um cachorro “pensa” ou não, “tem consciência” ounão, isso depende da definição escolhida. Algumas pessoasnão atribuirão “consciência” a criatura alguma que não seja capazde abstrair um conceito geral com base em fatos particularese, a partir daí, aplicar o aparato da lógica formal de modo afazer inferências para além desses fatos. Outros conferem“consciência” a criaturas que reconhecem seus parentes consanguíneose se recordam de locais prévios relacionados a situaçõesde perigo ou de prazer. Pelo primeiro critério, os cãesnão têm consciência; pelo segundo, têm. Mas os cães permanecemsendo cães e sentindo aquilo que sentem, sem levar emconsideração os rótulos escolhidos por nós.

No contexto dos esforços internacionais para conservara biodiversidade, essa questão assume uma importância central,uma vez que o argumento clássico sobre os motivos pelosquais uma criatura supostamente decente e moral como oHomo sapiens pode maltratar e até mesmo exterminar outrasespécies se assenta sobre uma posição extrema numcontinuum. A tradição cartesiana, formulada explicitamente noséculo XVII, mas presente, sem dúvida, numa forma “popular”ou em outras versões, ao longo de toda história humana, sustentaque os outros animais são pouco mais que máquinas desprovidasde sentimentos e que apenas os homens gozam de“consciência”, não importa como ela seja definida. Nas versõesradicais dessa teoria, até mesmo a dor e o sofrimento manifestosde outros mamíferos (tão palpáveis para nós, e da maneiramais visceral, uma vez que as expressões vocais e faciais dessesparentes evolutivos próximos são semelhantes às nossaspróprias reações aos mesmos estímulos) nada mais sinalizamdo que uma resposta automática sem nenhuma representaçãointerna em termos de sentimento porque os outros animaisnão têm consciência alguma. Assim, levando adiante esse argumento,poderíamos nos preocupar com a extinção em função deoutras razões, mas não em virtude de alguma espécie de dor ousofrimento associado a essas mortes inevitáveis.
Não acredito que muitas pessoas sustentem nos dias dehoje uma versão tão forte da posição cartesiana, mas a tradiçãode se considerar os animais “inferiores” como “menos capazesde sentir” certamente persiste como um paliativo que ajuda ajustificar nossa rapacidade do mesmo modo como os nossosancestrais racistas argumentavam que os “insensíveis” índioseram incapazes de experimentar alguma forma de dor conceitualou filosófica pela perda de seu ambiente ou modo de vida(desde que os territórios reservados suprissem suas necessidadescorporais de alimento e segurança), e que os “primitivos”africanos não lamentariam a terra natal e a família abandonadasà força uma vez que a escravidão lhes assegurasse asobrevivência do ponto de vista físico.

QUESTÃO 1
Para o autor do texto,
(A) o argumento de que os animais não sofrem do mesmo modo que os homens é um pretexto para o exercício da avidez humana.

CORRETO – A parte do texto que sustenta essa assertiva encontra-se no segundo parágrafo:

A tradição cartesiana, formulada explicitamente no século XVII, mas presente, sem dúvida, numa forma “popular” ou em outras versões, ao longo de toda história humana, sustenta que os outros animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos e que apenas os homens gozam de “consciência”, não importa como ela seja definida. Nas versões radicais dessa teoria, até mesmo a dor e o sofrimento manifestos de outros mamíferos (tão palpáveis para nós, e da maneira mais visceral, uma vez que as expressões vocais e faciais desses parentes evolutivos próximos são semelhantes às nossas próprias reações aos mesmos estímulos) nada mais sinalizam do que uma resposta automática sem nenhuma representação interna em termos de sentimento porque os outros animais não têm consciência alguma. Assim, levando adiante esse argumento, poderíamos nos preocupar com a extinção em função de outras razões, mas não em virtude de alguma espécie de dor ou sofrimento associado a essas mortes inevitáveis.

No terceiro parágrafo, o autor completa:

“ (...)mas a tradição de se considerar os animais “inferiores” como “menos capazes de sentir” certamente persiste como um paliativo que ajuda a justificar nossa rapacidade...”

Rapacidade – avidez de animal que se atira sobre a presa.

(B) a defesa da biodiversidade não pode ter como base a questão da consciência dos animais, já que não há consenso sobre essa questão.

INCORRETO – O autor segue o caminho oposto ao que essa opção afirma, introduzindo o segundo parágrafo da seguinte forma:

“No contexto dos esforços internacionais para conservar a biodiversidade, essa questão assume uma importância central...”

(C) o modo como vivem os homens no mundo contemporâneo faz com que sejam inevitáveis as mortes dos animais.

INCORRETO – o texto não cria o vínculo sugerido nessa opção, além de passear pela linha do tempo (cita o século XVII), o que é diferente de se referir ao mundo contemporâneo.

(D) a discussão sobre o nível de consciência que pode ser atingido pelos cães é inteiramente inócua, pois nunca chegaremos a um consenso.

INCORRETO – o autor do texto não se refere à discussão mencionada nessa opção como “inócua”, apenas diz que há duas maneiras de considerar a questão que envolve o fato de um cão ter ou não consciência.

(E) os mamíferos, que em tantos aspectos assemelham-se aos homens, devem ser colocados numa escala muito superior aos outros animais.

INCORRETO – o autor não faz em parte alguma do texto essa reivindicação.

GABARITO (A)

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QUESTÃO 2

No último parágrafo do texto, Jay Gould

(A) sugere que a alegação de que os animais são inferiores ao homem é preconceituosa e interessada.

CORRETO –O autor refere-se a duas experiências na história que ilustram tal afirmação. Ambas se relacionam com a opressão à qual foram submetidos os indígenas e os negros africanos, tidos pela visão do homem branco ocidental, como sabemos, como raças inferiores.

“...do mesmo modo como os nossos ancestrais racistas argumentavam que os “insensíveis” índios eram incapazes de experimentar alguma forma de dor conceitual ou filosófica pela perda de seu ambiente ou modo de vida (desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais de alimento e segurança), e que os “primitivos” africanos não lamentariam a terra natal e a família abandonadas à força uma vez que a escravidão lhes assegurasse a sobrevivência do ponto de vista físico.”

(B) insinua que o nível de consciência dos animais é semelhante àquele que os homens mais primitivos possuíam.

INCORRETO – Não essa analogia no texto.

(C) defende que os animais são hoje tratados de modo mais cruel do que eram tratados os escravos.

INCORRETO – Outra extrapolação da banca examinadora. O autor não compara uma crueldade com a outra, apenas se refere aos escravos para sinalizar outras situações nas quais o discurso do homem é (foi) ajustado aos seus interesses.

(D) aventa a possibilidade de já não haver mais quem sustente a posição cartesiana nos dias atuais.

INCORRETO – O início do parágrafo desmente tal opção, pois o autor diz que não acredita que haja muitas pessoas acreditando na posição cartesiana, o que é diferente de dizer que não há quem sustente tal posição.

(E) concede que aqueles que escravizaram índios no passado só o fizeram por acreditar na sua inferioridade.

INCORRETO – O autor do texto usa o que aconteceu com os índios no passado para provocar uma reflexão acerca dos reais interesses por trás do discurso (a opção A desmente esta opção E).

GABARITO (A)

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QUESTÃO 3

Considerado o contexto, o segmento cujo sentido está adequadamente expresso em outras palavras é:

(A) criatura supostamente decente e moral = ser hipoteticamente inteiriço e devoto

INCORRETO – não há relação entre “decente e moral” com “inteiriço e devoto”;

(B) capaz de abstrair um conceito geral = apto a destacar um aforismo genérico

INCORRETO – abstrair é diferente de “destacar”;

(C) de modo a fazer inferências = a fim de tirar ilações

CORRETO – Vejamos o que dizem os dicionários acerca do vocábulo “inferência”:

·         ação ou efeito de inferir; conclusão, indução
·         operação intelectual por meio da qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras
·         ilação

(D) versões radicais dessa teoria = facetas temerárias desse método

INCORRETO – não há aproximação entre “radicais” e “temerárias” no contexto apresentado.

(E) persiste como um paliativo = remanesce como um subterfúgio

INCORRETO – “paliativo” tem a ver com algo que atenua um mal por um período curto de tempo; “subterfúgio” refere-se amanobra ou pretexto para evitar dificuldades.

GABARITO C

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QUESTÃO 4
 
não acredito que muitas pessoas sustentem nos dias de hoje uma versão tão forte da posição cartesiana...

O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o verbo grifado acima está em:

(A) ...certamentepersiste como um paliativo...

Verbo no presente do Indicativo

(B) ...e que apenas os homens gozam de “consciência”...

Verbo no presente do indicativo

(C) ...criatura alguma que não seja capaz de...

Verbo no presente do subjuntivo (exatamente como a forma verbal destacada no enunciado)

(D) ...desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais...

Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo

(E) ...os nossos ancestrais racistas argumentavam que...

Verbo no pretérito imperfeito do indicativo

GABARITO C

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QUESTÃO 5

Atente para as afirmações abaixo sobre a pontuação empregada no texto.

I. Outros conferem “consciência” a criaturas que reconhecem seus parentes consanguíneos e se recordam de locais prévios relacionados a situações de perigo ou de prazer. (1º parágrafo)
Sem prejuízo para o sentido e a correção, uma vírgula poderia ser colocada imediatamente depois da palavra criaturas.

INCORRETO – Após a palavra “criaturas”, temos um pronome relativo. Como sabemos, as orações introduzidas por pronomes relativos são orações adjetivas. Se isoladas por pontuação, as orações adjetivas serão "explicativas”; se não forem isoladas por pontuação, serão “restritivas”. Ou seja: haverá mudança de sentido.

II. Não acredito que muitas pessoas sustentem nos dias de hoje uma versão tão forte da posição cartesiana...(3º parágrafo)
Sem prejuízo para a correção e a clareza, o segmento em destaque poderia ser isolado por vírgulas.

CORRETO – o segmento em destaque é um adjunto adverbial deslocado, portanto poderia vir isolado por vírgulas.

III. ... os “insensíveis” índios eram incapazes de experimentar alguma forma de dor conceitual ou filosófica pela perda de seu ambiente ou modo de vida (desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais de alimento e segurança), e que os “primitivos” africanos... (3º parágrafo)
A substituição dos parênteses por travessões não implicaria prejuízo para a correção e a lógica.

CORRETO – Segmentos entre parênteses podem vir entre travessões.

Está correto o que se afirma em
(A) II, apenas.
(B) I, apenas.
(C) I, II e III.
(D) II e III, apenas.
(E) I e III, apenas.

GABARITO (D)

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QUESTÃO 6

Algumas pessoas não atribuirão “consciência” a criatura alguma...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o verbo grifado acima está em:

(A) ...e que os “primitivos” africanos não lamentariam a terra natal e a família abandonadas à força...

INCORRETO – o verbo “lamentar” tem complemento direto (sem preposição). Se lamentamos, lamentamos algo.

(B) ...essa questão assume uma importância central...

INCORRETO – o verbo “assumir” tem complemento direto (sem preposição). Se assumimos, assumimos algo

(C) ...as expressões vocais e faciais desses parentes evolutivos próximos são semelhantes às nossas próprias reações...

INCORRETO – A forma verbal “são” (verbo ser) é de ligação.

(D) ...isso depende da definição escolhida.

INCORRETO – O verbo “depender” exige complemento com preposição. Se dependemos, dependemos de algo ou de alguém.

(E) ...uma vez que a escravidão lhes assegurasse a sobrevivência do ponto de vista físico.

CORRETO – Assim como o verbo destacado no enunciado, a forma “assegurasse” apresenta dois complementos (um com e um sem preposição). Se asseguramos, asseguramos algo a alguém.

GABARITO (E)

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QUESTÃO 7

Não acredito que muitas pessoas sustentem nos dias de hoje uma versão tão forte da posição artesiana, mas a tradição de se considerar os animais “inferiores” como “menos capazes de sentir” certamente persiste como um paliativo que ajuda a justificar nossa rapacidade do mesmo modo como os nossos ancestrais racistas argumentavam que os “insensíveis” índios eram incapazes de experimentar alguma forma de dor conceitual ou filosófica pela perda de seu ambiente ou modo de vida (desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais de alimento e segurança), e que os “primitivos” africanos não lamentariam a terra natal e a família abandonadas à força uma vez que a escravidão lhes assegurasse a sobrevivência do ponto de vista físico.

Mantém-se clara e correta a redação da frase acima caso, sem qualquer outra alteração, os elementos sublinhados sejam substituídos, respectivamente, por:
(A) embora de modo que
(B) contudocontanto que
(C) conquanto porquanto
(D) embora contanto que
(E) porémantes que

Essa questão exige o conhecimento acerca dos valores semânticos dos conectivos (geralmente as conjunções). O primeiro termo destacado pela banca foi o conectivo “mas”, que estabelece um vínculo adversativo (oposição, contraste) no universo das orações coordenadas. Observando a primeira coluna das opções oferecidas pela FCC, percebemos que apenas os conectivos apresentados nas opções (B) e (E) são similares ao termo “mas”. Vale ressaltar que as conjunções “embora” e “conquanto” também introduzem nexo de oposição, mas no reino das orações subordinadas adverbiais concessivas.
Para decidir entre as opções (B) e (E), basta observar o segundo elemento destacado pela banca no texto: “desde que”. Analisando o contexto, percebe-se que se trata de um elemento que introduz valor semântico de “condição”, o que também encontramos em “contanto que”.

GABARITO (B)

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QUESTÃO 8

... uma vez que as expressões vocais e faciais desses parentes evolutivos próximos são semelhantes às nossas próprias reações aos mesmos estímulos...
Sem que qualquer outra modificação seja feita na frase acima, o sinal indicativo de crase deverá ser mantido caso o segmento sublinhado seja substituído por:
(A) afiguram.
(B) parecem.
(C) correspondem.
(D) lembram.
(E) rememoram.

Se o assunto é crase, foco na regência! Das cinco opções oferecidas pela banca, apenas uma apresenta um regente que exige a preposição “a”: correspondem (se correspondem, correspondem A algo ou A alguém). As demais opções oferecem regentes que não exigem preposição (afigurar, lembrar e rememorar) ou regente que pede outra preposição (parecer “com”).

GABARITO (C)

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QUESTÃO 9

... desde que os territórios reservados suprissem suas necessidades corporais de alimento e segurança...
A transposição da frase acima para a voz passiva terá como resultado a forma verbal:

(A) fossem supridas.
(B) forem supridos.
(C) fossem supridos.
(D) viessem a suprir.
(E) sejam supridas.

Questões que envolvem transposição da ativa para a passiva (ou vice-versa) exigem cuidado redobrado com o tempo do verbo. O texto apresentado oferece o verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo (suprissem). Sendo assim, só as opções que contiverem o verbo “ser” no pretérito imperfeito do subjuntivo devem merecer a atenção do candidato (A) e (C). Como a forma verbal da voz passiva precisa concordar com “necessidades”, teremos na resposta a forma “fossem supridas”.

GABARITO (A)

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QUESTÃO 10

A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente foi realizada de modo INCORRETO em:

(A) sem levar em consideração os rótulos = sem levá-los em consideração
(B) capaz de abstrair um conceito geral = capaz de abstraí-lo
(C) suprissem suas necessidades = suprissem-nas
(D) conferem “consciência” a criaturas = conferem-lhes consciência
(E) que reconhecem seus parentes consanguíneos = que lhes reconhecem

Utiliza-se o pronome “o” (e variações “os”, “a”, “as”) para complemento de verbos que não exigem preposição; utiliza-se a forma pronominal “lhe” (ou “lhes”) para complemento de verbos que exigem preposição. Basta observar que, na opção (E), o complemento não está preposicionado (seus parentes consanguíneos), portanto deveria ser empregada a forma “os” (que os reconhecem).

GABARITO (E)

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QUESTÃO 11

·         O cartesianismo sustenta que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos.
·         As versões radicais do cartesianismo consideram que até mesmo a dor de outros mamíferos é apenas uma resposta automática.
·         Para o cartesianismo, o sofrimento dos animais não deve ser motivo para nos preocuparmos com sua possível extinção.
As frases acima articulam-se num único período, com clareza e correção, em:

(A) Ao sustentar que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos e, segundo as versões radicais do cartesianismo, ao considerar que até mesmo a dor dos mamíferos é uma resposta automática, o sofrimento dos animais não deve ser motivo para nos preocuparmos com sua possível extinção.
(B) O cartesianismo, cujas versões radicais consideram que até mesmo a dor de outros mamíferos é apenas uma resposta automática, sustenta que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos e, por conseguinte, que seu sofrimento não deve ser motivo para nos preocuparmos com sua possível extinção.
(C) Para o cartesianismo, o sofrimento dos animais não deve ser motivo para nos preocuparmos com sua possível extinção, por que sustenta que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos, as versões radicais do cartesianismo considerando que até mesmo a dor de outros mamíferos é apenas uma resposta automática.
(D) O cartesianismo sustenta que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos e considera que até mesmo a dor de outros mamíferos é apenas uma resposta automática, isso para suas versões radicais, porquanto o sofrimento dos animais não deve ser motivo para nos preocuparmoscom sua possível extinção.
(E) Sustentando que os animais são pouco mais que máquinas desprovidas de sentimentos, o cartesianismo, em suas versões radicais, consideram que até mesmo a dor de outros mamíferos é apenas uma resposta automática, na medida em que o sofrimento dos animais não deve ser motivo para nos preocuparmos com sua possível extinção.

Questão típica para irritar os candidatos menos pacientes. Extensa, pode impressionar num primeiro contato, mas é fácil.

(A) INADEQUADA – Não há evidência de quem sustenta o que se diz na primeira linha. Na verdade, se levarmos ao pé da letra essa redação, consideraremos “o sofrimento dos animais” como sujeito de “sustentar” e“considerar”.

(B) ADEQUADA – Apresenta o conectivo “cujo” (pronome relativo) para ligar a segunda sentença à primeira, e apresenta o conectivo “por conseguinte” (de valor conclusivo) para ligar a terceira sentença à segunda.
(C) INADEQUADA – Não há articulação entre as informações, despejadas sem qualquer elemento coesivo entre elas.

(D) INADEQUADA – Péssima redação com uso indevido do conectivo “porquanto”, que só deve ser empregado com valor causal ou explicativo.

(E) INADEQUADA – Erro grosseiro de concordância na segunda linha (“o cartesianismo consideram”...), além de mau uso da expressão “na medida em que”, que só deve ser empregada com valor causal ou explicativo.

GABARITO (B)

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QUESTÃO 12

O aquário propriamente dito teve um nascimento interessantee particular na metade do século XIX. Antes disso,alguns poucos naturalistas __________ conseguido manter os organismosmarinhos vivos em recipientes dentro de casapor períodos consideráveis – mas somente com um esforçocontínuo e substancial (que __________ a cargo dos empregadosdomésticos, o que revelava outra realidade socialdaqueles tempos). Um exemplo são os animais marinhosque __________ nos vasos cilíndricos de vidro que sir JohnGraham Dalyell mantinha em sua casa no início do séculoXIX.
(Adaptado de: Stephen Jay Gould. Op. cit., p.77-9)

Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, naordem dada:

(A) haviamficavam haviam
(B) havia ficava haviam
(C) haviamficava havia
(D) havia ficavam havia
(E) haviamficava haviam

Na primeira lacuna só cabe a forma “haviam”, verbo auxiliar que precisa concordar com o sujeito “alguns poucos naturalistas”; na segunda lacuna só cabe a forma “ficava”, pois a concordância se dá com o termo “esforço”; na terceira lacuna só cabe a forma “havia”, já que se trata de verbo impessoal e, portanto, tem de ser empregado na 3ª pessoa do singular.

GABARITO (C)

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Atenção: Para responder às questões de números 13 a 18, considere o texto abaixo.

Cora Coralina, de Goiás

Este nome não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina.
       Cora Coralina, tão gostoso pronunciar este nome, que começa aberto em rosa e depois desliza pelas entranhas do mar, surdinando música de sereias antigas e de Dona Janaína moderna.
       Na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o atual, passam as crianças e os miseráveis de hoje. O verso é simples, mas abrange a realidade vária. Escutemos: “Vive dentro de mim / uma cabocla velha / de mau olhado, / acocorada ao pé do borralho, / olhando pra o fogo.” “Vive dentro de mim / a lavadeira do rio Vermelho. / Seu cheiro gostoso d'água e sabão.” “Vive dentro de mim / a mulher cozinheira. / Pimenta e cebola. / Quitute bem feito.” “Vive dentro de mim / a mulher proletária. / Bem linguaruda, / desabusada, sem preconceitos.”“Vive dentro de mim / a mulher da vida. / Minha irmãzinha... / tão desprezada, / tão murmurada...”
Todas as vidas. E Cora Coralina as celebra com o mesmo sentimento de quem abençoa a vida. Ela se coloca junto aos humildes, defende-os com espontânea opção, exalta-os, venera-os. Sua consciência humanitária não é menor do que a sua consciência da natureza.
       Assim é Cora Coralina - um ser geral, “coração inumerável”, oferecido a estes seres que são outros tantos motivos de sua poesia: o menor abandonado, o pequeno delinquente, o presidiário, a mulher-da-vida. Voltando-se para o cenário goiano, tem poemas sobre a enxada, o pouso das boiadas, o trem de gado, os becos e sobrados, o prato azul-pombinho, último restante de majestoso aparelho de 92 peças, orgulho extinto da família.
       Cora Coralina, um admirável brasileiro. Ela mesma se define: “Mulher sertaneja, livre, turbulenta, cultivadamente rude. Inserida na gleba. Mulher terra. Nos meus reservatórios secretos um vago sentido de analfabetismo.” Opõe à morte “aleluias festivas e os sinos alegres da Ressurreição. Doceira fui e gosto
de ter sido. Mulher operária”.
       Cora Coralina: gosto muito deste nome, que me invoca, me bouleversa, me hipnotiza, como no verso de Bandeira.
(Adaptado de: Carlos Drummond de Andrade. Publicado originalmente
no Jornal do Brasil. Cad. B, 27.12.80. Cora Coralina. Vintém
de cobre: meias confissões de Aninha. 8. ed.S.Paulo:
Global, 2001. p. 8-11)

13. Atente para as afirmações abaixo.
I. A expressão espontânea opção (4º parágrafo), empregada por Drummond, não é inteiramente redundante, pois oqualificativo espontâneareforça o caráter voluntário da escolha.

Correto – Trata-se de um recurso para acentuar a qualidade da abnegação, do desprendimento de que era dotada Cora Coralina.

II. A alusão de Drummond ao majestoso aparelho de 92 peças (5º parágrafo) revela a contradição entre a riqueza da poeta ea simplicidade e a humildade dos temas e pessoas tratados em sua poesia.

Incorreto – Não há contradição alguma.

III. A expressão cultivadamente rude (6º parágrafo), de que Cora Coralina se vale para falar de si mesma, é propositalmenteparadoxal, pois rude pode significar “não cultivado”.

Correto – Mais um recurso para afirmar o desprendimento de Cora Coralina.

Está correto o que se afirma em
(A) III, apenas.
(B) II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) I, II e III.
(E) I e II, apenas.

GABARITO (C)

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14. “Vive dentro de mim / uma cabocla velha / de mau olhado, / acocorada ao pé do borralho, / olhando pra o fogo.” [...] “Vive dentrode mim / a mulher proletária. / Bem linguaruda, / desabusada, sem preconceitos.” “Vive dentro de mim / a mulher da vida. /Minha irmãzinha... / tão desprezada, / tão murmurada...”

De acordo com o contexto, os elementos sublinhados no trecho acima têm, respectivamente, o sentido de:
(A) dobrada − malcriada − lastimosa
(B) encostada − acanhada − renomada
(C) agachada − avançada − mal amada
(D) agachada − atrevida − mal falada
(E) encostada − acanhada − mal falada

“acocorada” – posto de cócoras, agachado;
“desabusado” – que perdeu o abusão, desiludido; que é abusado, atrevido, insolente;
“murmurar” – falar mal de alguém ou algo, queixar-se

GABARITO (D)

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15. A afirmação que está em DESACORDO com o texto é:

(A) as palavras da própria Cora Coralina são citadas para mostrar o que há de telúrico em sua personalidade.
(B) a poesia de Cora Coralina volta-se para o passado, sem deixar de tratar do presente.
(C) o nome de Cora Coralina exerce um enorme fascínio sobre Drummond.
(D) os mais despossuídos parecem ocupar o lugar central na poesia de Cora Coralina.
(E) a preocupação de Cora Coralina com os homens só é superada pelos seus cuidados com a natureza.

No fim do quarto parágrafo, temos: “Sua consciência humanitária não é menor do que a sua consciência da natureza.”

GABARITO (E)

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16. “...tão gostoso pronunciar este nome – sentimento de quem abençoa a vida – Opõe à morte aleluias festivas. A substituição dos elementos grifados acima pelos pronomes correspondentes, com os necessários ajustes, foi realizadacorretamente em:

(A) tão gostoso pronunciá-lo − sentimento de quem a abençoa − Opõe-lhe aleluias festivas
(B) tão gostoso pronunciar-lhe − sentimento de quem abençoa-a − Lhe opõe aleluias festivas
(C) tão gostoso pronunciá-lo − sentimento de quem abençoa-lhe − Opõe-na aleluias festivas
(D) tão gostoso o pronunciar − sentimento de quem a abençoa − A opõe aleluias festivas
(E) tão gostoso lhe pronunciar − sentimento de quem lhe abençoa − Opõe-na aleluias festivas

O primeiro elemento a ser substituído – “este nome” – não está preposicionado, portanto não cabe o uso do pronome “lhe”. Isso permite o descarte das opções (B) e (E). O segundo elemento – “a vida” – também está sem preposição, o que nos permite eliminar a opção (C). O terceiro elemento – “à morte” – está preposicionado (note o acento grave), assim descartamos a opção (D), pois agora se deve utilizar o pronome “lhe”.

GABARITO (A)

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17. A frase que admite transposição para a voz passiva é:

(A) ...gosto muito deste nome...
(B) ...e depois desliza pelas entranhas do mar...
(C) ...uma mulher que vive em Goiás...
(D) ...passam as crianças e os miseráveis de hoje.
(E) ...defende-os com espontânea opção...

Para resolver esse tipo de questão, basta procurar a opção que ofereça um verbo transitivo direto (pode ser também transitivo direto e indireto).

A única opção contendo um VTD é a opção (E). Na voz passiva, teríamos “são defendidos com espontânea opção”.

GABARITO (E)

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18. A frase cuja pontuação está inteiramente adequada é:

(A) Sendo um nome hoje conhecido de todos os que apreciam a poesia, Cora Coralina deve ter encontrado, já muitosintérpretes de sua obra, alguns certamente sensíveis, e argutos, mas poucos terão escrito sobre sua poesia, de maneiratão poética como o fez Drummond, ele mesmo um de nossos maiores poetas.
(B) Sendo um nome hoje conhecido, de todos os que apreciam a poesia, Cora Coralina deve ter encontrado já muitosintérpretes de sua obra, alguns certamente sensíveis e argutos, mas, poucos terão escrito sobre sua poesia, de maneiratão poética como o fez Drummond ele mesmo, um de nossos maiores poetas.
(C) Sendo um nome, hoje conhecido de todos, os que apreciam a poesia, Cora Coralina deve ter encontrado já muitosintérpretes, de sua obra, alguns certamente sensíveis e argutos; mas poucos terão escrito sobre sua poesia de maneiratão poética como o fez Drummond, ele mesmo um de nossos maiores poetas.
(D) Sendo um nome hoje conhecido de todos os que apreciam a poesia, Cora Coralina deve ter encontrado já muitosintérpretes de sua obra, alguns certamente sensíveis e argutos, mas poucos terão escrito sobre sua poesia de maneira tãopoética como o fez Drummond, ele mesmo um de nossos maiores poetas.
(E) Sendo um nome hoje conhecido de todos, os que apreciam a poesia, Cora Coralina deve ter encontrado já muitosintérpretes de sua obra, alguns, certamente sensíveis e argutos, mas poucos, terão escrito sobre sua poesia de maneiratão poética como o fez Drummond, ele mesmo, um de nossos maiores poetas.

(A) – Pontuação INCORRETA, pois há vírgula separando verbo de complemento (encontrado, já muitos intérpretes...). Também está inadequada a vírgula entre “sensíveis” e “argutos”. Há, ainda, um terceiro erro: a vírgula após “poesia” na penúltima linha.

(B) – Pontuação INCORRETA: absurda a vírgula entre “conhecido” e “de todos”; equivocada a vírgula após a conjunção “mas”; e descabidas as duas vírgulas na penúltima linha.

(C) - Pontuação INCORRETA: um festival de bobagens! Vírgulas descabidas separando “todos” de “os que apreciam...”; “intérpretes” de “sua obra”...

(D) – Pontuação CORRETA

(E) - Pontuação INCORRETA: Vide comentário na opção (C).

GABARITO (D)

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19. O verbo empregado no plural que, sem prejuízo das normas de concordância verbal, também poderia ser empregado no singularestá grifado neste fragmento de um poema de Cora Coralina:

(A) Filhos, pequeninos e frágeis...
eu os carregava, eu os alimentava?
Não. Foram eles que me carregaram,
que me alimentaram.
(B) Sobraram na fala goiana algumas expressões africanas, como Inhô, Inhá,
Inhora, Sus Cristo. [...]
(C) Suas roseiras, jasmineiros, cravos e cravinas, escumilhas,
onde beija-flores faziam seus ninhos delicados [...]
(D) Na Fazenda Paraíso, grandes terras de Sesmaria, nos dias
da minha infância ali viviam meu avô, minha bisavó Antônia,
que todos diziam Mãe Yayá, minha tia Bárbara, que era tia Nhá-Bá.
(E) E vinham os companheiros, eu vi, escondida na moita de bambu...

(A) Verbo obrigatoriamente flexionado no plural, pois o sujeito é o pronome “eles”;
(B) Verbo obrigatoriamente flexionado no plural, pois o sujeito é o sintagma “algumas expressões africanas”;
(C) Verbo obrigatoriamente flexionado no plural, pois o sujeito é o termo “beija-flores”;
(D) O verbo, por estar anteposto ao sujeito composto, pode concordar com o núcleo mais próximo (concordância atrativa). Ou seja: estaria correto também se fosse “vivia meu avô, minha bisavó Antônia...”;
(E) Verbo obrigatoriamente flexionado no plural, pois o sujeito é o termo “os companheiros”.

GABARITO (D)

___________________________________________________________________________________

20. Estão corretos o emprego e a flexão de todos os verbos da frase:

(A) Proseia com a antiga colega de turma há quase uma hora e não atina com o nome dela.
(B) É realmente espantoso como tudo parece estar acontecendo exatamente como preveu.
(C) Ela requiz imediatamente os seus direitos, mas não encontrou quem lhe atendesse.
(D) Se intervisse a favor do amigo, certamente acabaria por se indispor com o chefe.
(E) Antes mesmo que ouvisse a má notícia, de que estava certo, atera-se à parede para não cair.

(B) – o correto é “previu”, verbo derivado de “ver”;
(C) – o correto é “requereu”;
(D) – o correto é “interviesse”, verbo derivado de “vir”;
(E) – o correto é “ativera-se”, verbo derivado de “ter”.

GABARITO (A)
  


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Um comentário:

  1. Muito elucidador. Ótima didática em concisas palavras. Parabéns.

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