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domingo, 28 de julho de 2013

Aprovado na PRF esperou 3 anos para assumir vaga de policial

Carlos Fernando Campos Wanderley, de 26 anos, passou no concurso de 2009 da Polícia Rodoviária Federal, mas só conseguiu tomar posse em janeiro deste ano. Wanderley foi presidente da Comissão Nacional dos Aprovados do Concurso da PRF de 2009 e lutou para que os 1,5 mil aprovados fossem chamados para assumir as vagas.

A seleção ficou suspensa por dois anos devido a irregularidades nas provas e impasses judiciais. Após várias idas a Brasília para participar de reuniões com deputados, senadores e diretoria da PRF, o esforço valeu a pena.

Wanderley credita o interesse na carreira ao fato de na sua família ter policiais rodoviários. “Desde criança eu via um tio e um primo trabalhando, sempre tive admiração”, conta.

Novo concurso para policial rodoviário federal foi aberto no mês passado, desta vez para 1.000 vagas, e a prova será em 11 de agosto. As inscrições foram encerradas no último dia 8. Para ingressar na carreira, o candidato precisa ter diploma em nível de graduação em qualquer área e possuir Carteira Nacional de Habilitação categoria “B”. Novidade no concurso é que 5% das vagas (50) serão reservadas para pessoas com deficiência. Com a medida, a PRF atende a decisão recente do STF. A remuneração inicial é de R$ 6.479,81, sendo R$ 6.106, 81 de subsidio e R$ 373,00 de vale-refeição.

O policial rodoviário está desde janeiro trabalhando nas BR-316 e BR-423, em Alagoas. Wanderley fez o curso de formação de setembro a dezembro do ano passado para assumir o cargo. Até essa última etapa da seleção, foram três anos de espera. Na verdade, desde que decidiu fazer concurso público, Wanderley sempre focou a PRF. “Ia fazendo os que apareciam, fiz uns 15, também fiz o do Ministério Público da União em 2010 e fui aprovado com os conhecimentos adquiridos durante os estudos para os concursos da PRF de 2008 e 2009”, diz. O policial foi aprovado dentro do cadastro do MPU para técnico de transporte.

Segundo ele, o que ajudou na aprovação no MPU foram os estudos de direito, legislação de trânsito, direção defensiva e conhecimentos de direção e mecânica.

Wanderley conta que fez o concurso da PRF em 2008, mas não foi aprovado. Ele iniciou os estudos em 2007. Ele acredita a reprovação às matérias específicas do Norte e Centro-Oeste – o concurso era para vagas no Pará e Mato Grosso – e à falta de estímulo porque o concurso foi alvo de fraude na época e, devido ao vazamento de provas e gabaritos, houve mudança de organizadora.

“Quando fui reprovado em 2008 pensei: se é isso o que eu quero não posso me abalar por causa de suspensão de prova”, afirma. Wanderley passou no concurso de 2009 como excedente. Foram formadas duas turmas para o curso de formação – uma entrou em junho de 2012 e a outra em setembro de 2012, cada uma com 750 aprovados. A colocação foi regional – ele escolheu Alagoas, e ficou em 10º lugar – na sua região entraram 12 candidatos. “Se tivesse feito para outros estados teria entrado na primeira turma porque a concorrência é menor e o nível de preparação dos candidatos idem”, diz.

Rotina de preparação
Formado em sistemas de informação, Wanderley conta que as matérias de humanas nunca foram seu forte. “Tive que focar nas matérias de direito, português e redação, fiz cursinho para pegar uma base, aí passei a estudar só em casa. De 2007 a 2009, fiz cursinho preparatório só para legislação de trânsito. Ia para o cursinho estudar todos os sábados, das 8h às 12h”, conta. Segundo ele, o esforço valeu a pena – acertou as 30 questões, cada uma valendo 3 pontos – era a disciplina de maior peso da prova. “Sempre tem alguma coisa nova pra estudar, a competência de cada órgão, as infrações, os tipos, as gravidades, o valor de cada multa”, diz.

Wanderley conta que já estava estudando “a mil por hora” antes de sair o edital. “Estudava a disciplina toda e depois ia praticar provas de outros concursos, depois pesquisava o que tinha errado e reforçava o que estava fraco.” Ele costumava estudar 13 horas por dia: das 8h às 12h, das 13h às 19h e das 20h às 23h.

“Por isso briguei tanto pra que o concurso não fosse anulado, por causa do esforço, não achava justo o concurso ser anulado, na época não houve vazamento de gabarito, não havia necessidade de prejudicar milhares de candidatos, foi um problema localizado que conseguiram sanar”, afirma.

Para o policial, dificulta um pouco mais para quem estuda há pouco tempo o fato de a organizadora da seleção ser o Cespe/UnB. “Porque não dá pra chutar, pra quem já vem estudando há mais tempo acredito que não tenha tanta diferença [ser o Cespe/UnB] porque vai ter mais segurança e não precisará chutar. Algumas matérias saíram, como direito civil, e a novidade é a prova de títulos, que beneficia quem fez pós-graduação e até estágio”, afirma.

De acordo com ele, a prova de redação era uma das que ele mais temia porque ele “era péssimo em escrita”. Wanderley conta que treinou a redação com o irmão, que dava aulas. “É fundamental, o peso da prova era 2, e de 0 a 20, tirei 18 na prova, e isso foi multiplicado por 2, o que jogou a classificação lá em cima”, afirma.

“A primeira coisa é ter foco, não adianta atirar para todos os lados, tem que focar naquilo que realmente quer. Aí então é estudar e treinar a parte física”, aconselha.

O teste físico do edital atual, para ele, está “um pouco mais pesado” em comparação ao edital de 2009, pois os índices mínimos exigidos para aprovação aumentaram em todas as modalidades. “Se era pesado antes agora vai ficar mais ainda”.

Wanderley conta que para o concurso de 2009 fazia aula de treinamento com personal trainer na areia da praia de Maceió para pegar resistência. “Eram dois dias por semana, e também fazia simulação dos testes físicos do edital semanalmente. Treinei bastante também a barra e a corrida”, conta.

Rotina do policial
Wanderley diz que sempre soube como é o trabalho na PRF. “Já sabia o que ia encontrar, estou extremamente realizado, é exatamente o que eu queria, e a questão da estabilidade é fundamental”, diz.

Mesmo tendo que atender a acidentes com vítimas, ele diz que é gratificante trabalhar salvando vidas. “Elas elogiam nosso trabalho, agradecem por termos salvado a vida delas, não tem salário que pague esse tipo de reconhecimento.”

Segundo ele, o lado ruim do trabalho é ver uma pessoa morta. “O primeiro acidente que atendi foi com uma criança de 6 anos que morreu na minha frente, passei mal, o policial que estava comigo sugeriu para eu ir para a viatura dar um tempo”, conta.

Ele reconhece que a questão de trabalhar aos feriados, enquanto todos estão aproveitando, é complicado. “Não temos ano novo, carnaval, temos que abdicar de alguma coisa. Se trabalha no carnaval tem folga na semana santa, se trabalha no natal, folga no ano novo, e trabalha sempre aos finais de semana. Mas em dia de semana eu folgo, enquanto todo mundo está trabalhando”, diz. A escala, segundo ele, é trabalho por 24 horas seguidas e folga por 72 horas (3 dias).

Wanderley trabalha na região do sertão de Alagoas, a 130 km de sua casa, em Maceió. Ele conta que gosta muito do trabalho com o público e deseja ficar na parte de operações mesmo. “Tem que ver se é realmente aquilo que quer e correr atrás. E dentro da PRF é possível pedir transferência para outro setor e até trabalhar na área de formação. Existem os trabalhos internos para médico, fisioterapeuta, jornalista e área administrativa, por exemplo.”
 

Fonte: G1

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