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domingo, 1 de setembro de 2013

Erros e fracassos necessários

Por: Marcos Oliveira - Procurador da Fazenda Nacional. 

O medo de errar esteve na raiz da maioria dos meus problemas como concurseiro. Enquanto estive com ele, fazendo-o meu parceiro, bati muita cabeça na parede. Perdi tempo e energia.

O medo de errar se associava a outro, seu irmão de sangue: o medo do fracasso. Os dois juntos formavam a dupla perfeita: um me impedia de estudar com qualidade; o outro me dizia para não enfrentar as batalhas.

O primeiro medo começou a ser enfrentado quando decidi colocar à prova o conteúdo estudado. E a melhor forma de dissipar as dúvidas era resolver questões. No começo há um desconforto, uma angústia de saber que parte do que se estudou saiu correndo para algum lugar e se escondeu. Parece que você olha para si mesmo e diz: como pode, eu li isso semana passada? Será que eu tenho algum problema? Será que todo mundo esquece o que leu 20 páginas atrás? Quando passei a aceitar essa condição humana, limitada, comecei de verdade a me preparar.

Nesse momento, quando já tinha vencido parcialmente o medo de errar, eu lembrava para mim mesmo que é melhor desarmar as bombas antes delas terem oportunidade de estourar. Ou seja, o momento de saber o que não se sabe (perdoem-me a expressão) é mesmo antes da prova. O problema é que eu, por algum tempo, não queria antecipar esse “tapa na cara”. Preferia a ilusão do: “se eu estudei, está tudo ok”. Utopia de quem queria ser gênio sem ser.

Lição disso tudo: ponham à prova o que estudaram. Não deixem que o examinador tome a frente, realizando essa tarefa por vocês. Resolvam questões, errem, frustrem-se. Isso traz um crescimento necessário. Pelo menos para mim funcionou assim.

O medo do fracasso era o outro carrasco. Ter medo de perder as batalhas me fazia tentar me convencer de que para passar seria necessário ler todos os livros indicados, saber todo o conteúdo, conhecer todas as leis, fazer os cursos preparatórios mais caros, ter aula com os melhores professores. Sem cumprir esses caminhos, pensava eu, para quê gastar dinheiro com inscrição? A fantasia da perfeição, da preparação plena era, no final das contas, uma forma transversa de dizer: “não quero correr o risco de passar vergonha de reprovar”. Medo de fracassar.

Embora ele se assemelhe com o medo de errar, sua atuação era mais ampla. Minava meus projetos de forma mais abrangente, ocupando territórios maiores e mais ricos; se manifestava por uma voz: “você está maluco? Acha que tem condições de passar nesse concurso? Vai gastar dinheiro?”. Com um tempo, descobri que essa voz vinha de um inconsciente perverso, de um lado meu que tinha medo em parecer fraco. Era o medo de fracassar, em última instância.

Isso quase aconteceu no meu concurso para Procurador do Estado do Paraná. Considerado um dos concursos mais difíceis para a advocacia pública estadual, com três fases discursivas, em datas diferentes, organizado por banca selecionada, eu logo me juntei ao medo de fracassar e gritei para mim mesmo: “Marcos, pelo amor de Deus, ponha-se no seu lugar”.

Sorte que já tinha praticado homicídio doloso contra o medo de errar. Resultado: o medo de fracassar estava mais fraco. Resolvi dissipá-lo também. Fui aprovado para Procurador do Estado do Paraná, convocado para assumir, mas optei por não ocupar o cargo porque já estava na PFN.

Lição disso tudo: aprovação é o resultado de uma série inimaginável de variáveis. Não deixe para tentar concurso quando se sentir preparado; você nunca se sentirá.

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3 comentários:

  1. Obrigado por compartilhar a sua experiência conosco, é realmente inspiradora. Abraço

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