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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Marilene, catadora de sonhos que quer chegar a promotora

De catadora de latinhas a técnica judiciária no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJ-DFT), a história de Marilene Lopes pode parecer não ter muito em comum com a da maioria dos concurseiros, exceto por um ponto: a determinação de conquistar uma vaga no serviço público, algo que, inspirada pelo pai, bancário concursado, sempre desejou. “Desde criança me interessei, pois meu pai era servidor, e queria ser como ele. Fiz o concurso para enfermagem em 1999 e não passei. E logo veio o do TJ”, conta.

Contudo, apenas para assegurar sua participação no concurso, Marilene enfrentaria obstáculos bem particulares à sua história. Casada aos 16 anos e mãe aos 18, conciliou o cuidado com o lar à conclusão do ensino médio, com cursos em Administração e Enfermagem. Graças ao último, obteve trabalho no programa Saúde em Casa. Porém, com a sua extinção, viu-se obrigada a trabalhar como empregada doméstica. Conforme mais filhos foram nascendo, tornou-se impossível manter essa atividade, o que a levou a catar latinhas como fonte de renda.
Hoje, com 39 anos e cinco filhos - Brenda (20), Zaine Beatriz (18), Samuel (17), Daniel (15) e Israel (11) -, ela recorda como ficou sabendo da seleção que mudaria sua vida. “Eu ia para a rodoviária olhar as capas dos jornais de concursos, inclusive a FOLHA DIRIGIDA.” Dessa forma, Marilene teve a ideia de concorrer a uma vaga de técnico em 2000.

Vaquinha para pagar a taxa - Mas fazer a inscrição não foi tão simples: a aspirante a servidora pública não dispunha dos R$25 necessários para pagar a taxa. “Eu pensei que pedir R$25 seria muito, mas de R$5 em R$5 seria mais fácil. Fui à casa da irmã da minha igreja e ela me deu R$4, e a filha dela, R$1. Meu tio, R$5, e meu esposo na época, R$10. E, por fim, meu amigo Cláudio, R$5”, relata. Esse último tentou incentivá-la fazendo um desafio: se não obtivesse a aprovação, teria de devolver a quantia emprestada.

Mesmo de posse do dinheiro, o fim do prazo quase impediu que Marilene concorresse à tão sonhada vaga, já que o montante só foi alcançado no último dia de inscrições, apenas dez minutos antes do fechamento da agência bancária. Postos de lado os obstáculos, a mãe de (na época) quatro filhos estava entre os que disputariam uma oporunidade no TJ-DFT.

A necessidade de se reabilitar de uma cirurgia (Marilene nasceu com lábio leporino) levou-a a morar na casa da mãe, onde teve um alívio das responsabilidades de esposa e mãe. Com isso, pôde lançar-se aos estudos na companhia de familiares e amigos que também se preparavam para concursos, o que lhe proporcionou material adequado.

Embora se recuperasse da cirurgia, Marilene conta que aproveitou esse período para adotar um intenso programa de estudos. “Começava às 8h com minhas irmãs e parava no almoço. Retornava às 14h e parava para a janta. Retornava às 19h, as meninas paravam às 23h, e eu, às 2h. Mantive (essa rotina) durante 15 dias, com três dicionários diferentes para pesquisar os termos técnicos.”

Relembrando seu método de estudos, ela descreve o que, acredita, foi a chave para obter o sucesso. “A técnica de estudo é o mais importante. É preciso começar pelas matérias nunca vistas no ensino médio e, por último, Matemática (se for o caso) e Português. Peguem dicionários; quem puder, compre um jurídico e pesquise cada termo técnico. Houve questões em que, se não soubesse o significado dos termos, não acertaria”, diz a técnica judiciária.

“Só preciso de uma vaga!” - A mãe e os irmãos, reconhece, foram as pessoas que permitiram que se dedicasse à rotina descrita. Além da família, ela destaca outro incentivador: “Meu amigo Claudemiro, hoje auditor fiscal da Procuradoria-Geral da República, que, na época, era bombeiro militar. Minha mãe me hospedou, meus irmãos ajudavam olhar e dar banho nos meninos, e Cláudio, com dinheiro e este discurso: ‘Quero casar com você. Ainda não é servidora, mas um dia vai ser, e quero uma esposa esforçada’. Não aceitei o pedido, pois era casada na época”, recorda.

Apesar da base e do estímulo recebidos, ela considera ter morado com a famíla, sem contribuir financeiramente, o maior motivo de frustração dessa época. “O maior foi ficar na casa da mãe com os quatro filhos, sem ajudar na despesa. Eu chorava muito. Ergui a cabeça e pensei: ‘Eu vou passar e pronto, só preciso de uma vaga’”.

A notícia de que havia conquistado a vaga de que precisava veio no dia 3 de maio de 2001, quando foi publicada a portaria determinando sua posse. Hoje, 12 anos depois de alcançar o sonho que nutria desde a infância, uma certeza: “Todo o esforço valeu muito a pena. Sinto-me realizada, pois tenho como sustentar meus filhos”, comemora. A importância de sua obstinação fica evidente quando perguntada como imagina que estaria caso não tivesse tido sucesso. “Ah, seria mais uma estatística do governo... provavelmente, família presa por tráfico”.

O pessimismo, porém, não faz parte do futuro que Marilene ambiciona. Aliando a determinação que sempre demonstrou à lição aprendida ao ser aprovada no concurso do TJ-DFT, ela pretende alcançar o sonho de um novo cargo. “Posso chegar aonde eu quiser com esforço, e serei promotora de justiça”, declara. 
 


Um comentário:

  1. Linda historia, é atraves dessas mensagens que encontro cada vez mais força para seguir em frente em busca da minha carreira.

    Parabens...
    Tine

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